Comunidade Holandesa Alternativa do Brasil

Ou COHAB, apenas.

Tem sempre alguém fumando maconha, onde quer que você vá: as esquinas; a praça lotada de crianças no domingo à tarde; e eu vi um tiozinho, saindo da feira, hoje…

Isso com uma delegacia grandona bem ao lado.

Porque a maconha aqui é legalizada. ^^

Publicado em: on Agosto 21, 2008 at 1:44 am Comentários (1)
Tags:

Às vezes acho que a insensibilidade é uma bênção. Porque muita coisa que eu vejo por aí me afeta profundamente, a ponto de me deixar doente.

Vou lembrar algumas coisas como quem revê um filme e , quem sabe, depois possa racionalizar e tirar algumas lições…

No começo da semana eu fiz a minha última aula de CFC (o cursinho teórico para formação de condutores). Era a aula de Primeiros Socorros. As outras cinco eu já tinha feito há meses, mas a de P.S.  eu fiquei adiando, adiando, porque estava com medo mesmo. Porque passo mal até em aula de colégio sobre sistema circulatório. Mas como uma prima ia fazer, aproveitei pra fazer junto e, assim, terminar logo com isso. Bem…

Expliquei a situação, disse que se eu saísse no meio da aula não era por falta de interesse e blá blá blá e o professor, que era filho de bombeiro,super compreensivo e fofo, pegou leve no video e nos exemplos. Bom, né?  Hm…

Mas tinha um cara com seus vinte e cinco anos, carequinha, marombadinho, machãozinho, superíntimo da minha prima (entenda: que mexe no cabelo, passa a mão no pescoço, morde braço(!?), agarra, promete que vai fazer e acontecer, cheio de piadinhas sexuais… tudo isso falando muitíssimo alto para chamar bastante a atenção de todo mundo).

Como o professor da sala ao lado faltara, estávamos dividindo o nosso com eles e, assim, ficávamos longos intervalos sem professor (enquanto ele dava aula na outra sala, a gente fazia alguma atividade em grupo. Foi num intervalo assim que desejei ser surda.)

O carinha, sei lá como ou porquê, começou a falar dos gays. Ou melhor: “dos viado” e das “mina que bate bife”(!?). Foi tanta estupidez, tanto desrespeito e baixaria que- juro- não tenho nem coragem de lembrar mais. O moleque tava fazendo curso de reciclagem porque quase matou uma pessoa quando dirigia bêbado(!). Outra coisa que ele contou pra todo mundo foi que ele fazia faculdade de Psicologia(!!!), mas largou porque a namorada queria mais atenção– e nesse ponto ele explicou que se tratava de uma “coroa” e que essas são melhores do que muitas menininhas por aí porque… Enfim, detalhes de sua vida sexual– e que depois largou também o emprego para poder ficar mais ainda com ela. E lamentou o fato de ter se ferrado tanto por causa dela(?) e porque, ainda por cima, os pais não quiseram mais pagar a faculdade dele(!!!).

Visualizou bem, né? Construiu a personagem na cabeça?

Uma outra coisa que eu escutei foi algo do tipo “se fosse eu, atropelava essas bicha”. 

Putz. Eu não sou tão inocente e encantada diante do mundo, eu sei que existe gente muito escrota. Só não sabia que existia tantas por metro quadrado. É que a galera, em peso, fez coro com ele e ficaram lá falando em “que nojo”, “ridículo”, “como pode?”…  A minha prima não podia contestar o gato, né? Nem ao menos ficar quietinha. Resolveu falar que era um desperdício tanto homem bonito ser viado e “ai, que ódio”…

Olha, passei mal aquele dia. Nem foi por causa de sangue; foi por causa da homofobia.

O professor voltou, e a essas alturas o figurão já sabia que eu não agüentava muito ficar ouvindo falar em acidentes e tal. Adivinhe se ele não fez um milhão de perguntas ilustradas com exemplos cheios de sangue e tripas voadoras! Só pra me fazer passar mal. Aham. O cara nem me conhecia, mal fomos apresentados. Dá pra entender? Até o professor sacou a intenção e ficou sem saber muito bem como agir. De fato a minha pressão caiu e eu fui pra forar tomar uma água. E, por alguma razão que eu não quero conhecer, isso foi motivo de diversão para alguém…

No final teve uns testes bem sossegados pra gente fazer que eram corrigidos na hora mesmo. Terminei logo e, tendo acertado 100%, ouvi uns deboches pelas costas.

Beleza. Pelo menos tinha terminado, né? Não. Esses caras cretinos que se acham os fodões, em pleno direito de pegar na gente (e tem muita menina que permite e acha lindo) parecem ficar desconcertados com garotas que impõem limites. Isso explica as tentativas de me ferir, acho. Lá fora ainda escutei “É… Ela tira cem por cento na prova escrita, mas quando pegar no carro pra dirigir vai bater no primeiro poste!”. Eu podia ter dito “Tudo bem! É só eu fazer um curso de reciclagem depois…”  , mas na hora eu não pensei nisso.

Enfim, o dia não era dos melhores, e como merda pouca é bobagem, aconteceu de mexerem quando eu passava com a minha prima na rua. Era um comerciante que já mexera comigo outras vezes quando eu voltava pra casa. Pelo o que entendi, ele fica o dia inteiro em frente à loja falando coisas enquanto as mulheres passam. Então já fazia tempo que isso me incomodava mas, pra uma garota magricela que nem eu, escutar porcarias de boca fechada é mais do que um exercício de zen-budismo: é questão de manter a integridade física.

Só que o tiozinho me pegou num dia ruim, sabe, e não hesitei:

“O que você disse?!”

Ele ficou desarmado, falou umas coisas desconexas. Eu repeti: ” O que você disse?!”. O idiota nem sabia o que responder, o famoso ‘mimimi’. “Você quer ir ali na delegacia repetir?!”. Ele olhou pro outro lado e ficou “Eu não falei nada, não falei nada…”

Saí louca da vida, xingando, e a minha prima toda horrorizada comigo, me mandando ficar calma. Super normal e até mesmo desejável que os homens fiquem falando que querem te comer e coisas do tipo, né? É um bom sinal. Significa reconhecimento, no idioma de alguém– que não é o meu.

Publicado em: on Agosto 3, 2008 at 5:23 am Comentários (3)

Mas eu ia dizendo que

Eu só queria descrever duas cenas que vi. Uma aconteceu há uns poucos dias; a outra, hoje.

Eu estava voltando do cursinho pra casa quando vi uma escada enorme cruzando a calçada em frente. Devia ser a Telefônica trabalhando, sei lá.  Só sei que o rapaz que andava na minha frente deu um jeito de não passar debaixo da escada (azar?!), preferindo se arriscar no meio-fio. Mas o que me deixou mesmo intrigada foi ver o cigarro acesso na mão dele.  o_0

A outra coisa foi hoje, em outra calçada bem próxima à já citada (pode ser a egrégora do lugar, não sei, é de se pensar). Eu vi um papelzinho “caindo” de alguém pro chão. Isso chamou minha atenção na hora, porque eu sempre fico admirada com a incapacidade que uns sujeitos têm em guardar seus lixinhos no bolso pra jogar no cesto depois. Enfim… dei uma olhadela e vi que o cara vestia branco e que estávamos em frente a uma farmácia. Pensei “putz, ele cuida da saúde das pessoas mas joga lixo no chão”; daí dei mais uma olhadela e percebi que não era papel o que ele tinha jogado– era plástico… DO MAÇO DE CIGARROS!

ahhhhhhhh

meeeeeeeedo

Publicado em: on Julho 2, 2008 at 3:12 am Comentários (1)

Dez mil anos depois, com as mesmas roupas

Eu desencanei total de escrever em blog, porque me conheço e sei que daqui seis meses mudo de idéia, me arrependo de ter escrito tanto, acho que não passei a mensagem corretamente, ou que não escrevi sobre nada interessante de fato, e acabo apagando tudo etc, etc, etc, lamúrias e reclamações…

É…  É uma encanação sem fim, uma auto-crítica mala bagarai. Vez e outra eu penso em coisas que gostaria de escrever, mas invariavelmente acabo achando tudo uma bosta, clichê demais, infantil demais, absurdo demais, blá blá blá, buáááá… Um saco. Além de totalmente dispensável, porque ninguém lê mesmo!!! Aff

Depois desse começo nada a ver (que já estou, inclusive, pensando em deletar) vou ao que interressa. ME interessa, afinal de contas. Porque 2008 é ano de vestibular, e isso aqui pode ser um bom exercício de escrita e uma forma de eu me posicionar em relação a assuntos diversos…

[muito esquisito ficar falando com um interlocutor que eu já suponho nem existir. Meio triste, solitário. Lembrei do livro que eu li no começo do ano-- Dissipatio H.G. ...     Mah... se você passar por aqui, por favor, dê o ar da sua graça!]

Publicado em: on at 3:10 am Deixe um comentário

 

Sexta, sábado e domingo limpando tinta em janela, porta, azulejo, chão… Forrar o piso com jornal antes de pintar as paredes não é frescura.

Sábado foi o dia mais divertido. Sozinhas, mãe e filha, carregadas de sacolas e mochilas, chegamos à noite no apê e começamos: sapólio, tiner, palha de aço, esfrega, esfrega, esfrega; começou a chover; CABUM; fudeu. Acabou a luz no prédio. Nos trocamos com a luz o cel, pegamos os cacarecos, e descemos.

Não dava pra ficar embaixo do toldo do lado de fora- era chuva e vento. Esperamos do lado de dentro, na escada, conversando com a simpatia de 9 anos chamada Sofia, minha vizinha de baixo… E o tempo passando, e a chuva não. Resolvemos esperar embaixo do toldo do portão (por quê? pra quê? …sei lá). Chegando lá, uns cinco homens paradões também, inclusive o futuro vizinho do lado, uma criatura desagradável que já veio logo dizer pra deixarmos a janela da entrada fechada porque tinha entrado água no prédio  (cacete, não é a minha janela, é a janela do espaço comum–tanto que deve ter sido ele mesmo quem fechou. Pra que encher o saco de quem está se mudando? Não é claro que, se estivéssemos já morando lá, teríamos fechado assim que começasse a molhar?!).

Liguei pra minha avó pedindo que ligasse pro ponto de táxi. Ela não retornou. Liguei de novo. Tava procurando o número. “Pode deixar, vó, já tá passando! A gente vai até o ponto, brigada!”

O que é a falta de objetividade… Pra lá e pra cá, as duas doidas, molhadas. Eu ainda tava de preto; minha mãe, coitada, de bata branca e umas estampas de oncinha ou coisa que o valha, sutiã azul por baixo…uma coisa de louco.

>Descobrir que o prédio para onde vamos fica sem luz toda vez que chove forte

> tomar chuva

> o vizinho

> o cansaço

>tomar chuva outra vez. Não era suficiente, ainda precisava que um cidadão no ponto medisse bem minha mãe dos pés à cabeça e falasse qualquer coisa sobre ser “embaçado secar a roupa no corpo”. Só faltou oferecer um abraço quentinho.

A lotação, cadê? Um táxi, um jegue… Nada. Já estamos molhadas mesmo, e já é tão tarde, vamos andando até o metrô tentar pegar a última lotação. Pega no meu braço, mãe, você tá de salto, cuidado pra não escorregar.

Ela reclamava tanto… De não ter carta, da chuva, de tudo. Eu só cantava.

Eu nunca canto, nem no banho, porque sou horrível e tenho noção de ridículo. Mas sábado eu cantei, viu. Raindrops keep falling on my head. Ela até entrou na onda, e nós lembramos vááárias músicas que falam de chuva.

A lotação tava cheia e não tinha como ir em pé o caminho todo, minha mãe estava constrangida por cauda roupa. Parece que o cobrador e o motorista fizeram piada ainda, tipo “será que tah chovendo?”, “não, acho que as pessoas estão suando” HA  HA  HA

Apelamos para um táxi da estação do metrô. Quando entrei no carro tava tocando Raul- tente outra vez. Achei engraçado. Eu estava tão zen, de verdade.

Tô assim agora: quando a coisa aperta, quando dizem coisas que eu preferia não ter ouvido,  eu falo pra mim mesma: OM MANI PADME RUM. Aprendi na budega do retiro budista que eu fiz de 2006 p/ 2007. Eu não sei se o mantra realmente funciona do jeito que eles acreditam–  pra mim é uma piada interna que eu faço pra me lembrar de que é preciso muito bom humor pra se viver.

Publicado em: on Janeiro 16, 2008 at 1:14 am Deixe um comentário

ex-talker

(de umas semanas atrás)

Tava pensando num adjetivo que me deram outro dia: stalker. Não encontrei nada no meu Oxford Escolar mas- como stalker que sou- vi algumas comunides no orkut de outras pessoas e entendi que é o nome que se dá a essa gente que acompanha a vida alheia de longe, voyers, expectadores, sabe… Gente que lê blogs, flogs e afins, e não comenta o que vê, apenas assiste.

E pensei até que ponto isso pode ser simples curiosidade e vontade de conhecer o diferente, e a partir de onde passa a ser falta de iniciativa e/ou incapacidade de construir uma vida que seja interessante o suficiente para você mesmo.

Lembrei d’A Mulher de Costas. Vou ler, sim. Vai pra lista de coisas que farei. (Aliás, vai pra lista nenhuma, que esse negócio de fazer lista é pra quem planeja e não cumpre…)

Publicado em: on Janeiro 13, 2008 at 4:51 am Deixe um comentário